Ando "na periferia da periferia, na periferia do Brasil". Não procuro por Dulce Veiga, mas por doces veias dentre as várias formas da epistemologia do mal. De caminhos em lugares abrigos do corpo, inclino-me por ladeiras de barro-pedra nos lugares cegos da morada do ser. O campão de São Judas Tadeu me proporciona uma sensão estética análoga ao relato-texto-tese da subida ao Morro do Quieto de Hélio Oiticica. Eu, corpo provocativo no qual me encontro, enveredo-me por vielas-veredas-fendas-invisíveis. A cidade se faz em 360º, - barulho de cães e carros. A paisagem ensurdecedora de um silêncio sugerido promete melhores dias, embora tenha havido cinco disparos de tiros na noite anterior. Há uma tensão entre a cena e a obscena. A hiperealidade censurada pelo recalque lança ao corpo uma sensação de insegurança, medo, estranheza, deslocamento e transitoriedade. A cidade que não pára, a cidade que só cresce e onde não encontro mais distinção aparente entre o de cima e o debaixo. Existem favelas de luxo nos mares de morro dessa perifiria que é em qualquer lugar. Existem luxosos barrocos em meio ao centro caos dos espaços planos, - uma nobreza down. A possibilidade se fazer algo apresenta-se como processo necessário a um fim não imediato. Flecho-me ao mundo pedindo pra ele parar pra eu descer.
01/11/2009
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