05/02/2010

Eu passarinho

à Roberta Pires

Em pleno ar... Por entre automóveis, ruas e avenidas, - peixes, pássaros, pessoas... De tanto amor e emoção, o estado é a saudade. Não sei muito bem como lidar com essa sensação recorrente em minhas memórias fatigadas pela não presença. Sei do indizível que me paralisa e o qual não ouso tocar. A luz sempre acesa da janela do banheiro do vizinho de algum andar não me faz ver nada. Faço um vôo inverso no para dentro em que se constitui o fora. A cidade é aquela que por tantas omissas vezes sacudiu às baforadas de nossos porres intermináveis aos goles infindos de tudo o que havia pela frente. Há lástima em não ter sido o óbvio, mas, porém, exato. Uma exatidão sem medidas, fluido ar que é mar nesses mares-de-morro dentro das gentes: geraes! Quisera tocar ao menos uma vez um abraço seu em silêncio e quantas palavras-ciladas no instante que guardo sem poder tocar. Não navego estrelas, mas vejo a fumaça que escoa do meu cigarro formar dentre os arranha-céus a imagem líquida dos seus gestos previsíveis. Ficaria aqui sem contar com o devorador das horas tentando dar conta de delimitar seus esquivos suspiros à dureza dos dias. Diria da batida de um coração, de uma doce ilusão. Mas pára! Em pleno mar de ar, eu passarinho...